Reflexões


TUDO É SIMULAÇÃO, INCLUSIVE AS VÍSCERAS

"A Globo é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações. Nenhuma circunstância pode servir de atenuante.” Este é o trecho de abertura da nota da Rede Globo divulgada esta semana sobre o afastamento do jornalista William Waack. O antirracismo, afirmado enfaticamente, é assim parte da natureza íntima da instituição, integra seu modo de ser.

O que é especialmente relevante é que se trata de uma empresa de comunicação que, segundo nos informam diariamente, alcança 100 milhões de brasileiros com uma programação orientada por inquestionáveis princípios éticos. Sim, é de ética que estamos falando. Como dizem os estudiosos do tema, “a dimensão ética começa quando entra em cena o outro”.

E o outro a que nos referimos (por exemplo, negros e índios) entra em cena toda hora na programação antirracista da rede Globo, sem o que, evidentemente, não poderíamos compreender quem somos. Ninguém apreende melhor, portanto, essa verdade do antirracismo visceral da rede Globo do que seus telespectadores não-brancos em todo o território nacional.

Trata-se aqui, perdoem-me a insistência, este é um ponto fundamental, não de seguir regras e regulamentos, mas de obediência ao modo de ser da instituição, o que lhe deu sempre vantagens estratégicas e a possibilidade de acumular prêmios internacionais.

Assim, por exemplo, a empresa, que segue imperativos éticos ditados por sua própria natureza, pode dar-se ao luxo de ignorar o pluralismo inscrito na Constituição e o Estatuto da Igualdade Racial.

Agora, vamos considerar que os negros são muito lentos, umas tartarugas. A rede Globo é de 1965 e somente em 2002, trinta e sete anos depois, portanto, um negro chegou à bancada do Jornal Nacional.

Vejam bem, mesmo considerando a existência de uma singular precondição, que é o fato de um empregador essencialmente antirracista, Heraldo Pereira chegou à bancada do Jornal Nacional somente em 2002. Decorridos quinze anos, continua suplente, cobrindo sábados e outros buracos na escala.

É isso mesmo. Como a empresa é visceralmente antirracista, a culpa só pode ser de Heraldo e tantos outros assemelhados, que não se mostram capazes de aproveitar as inúmeras oportunidades colocadas a sua disposição.


Edson Lopes Cardoso
Jornalista e Doutor em educação pela Universidade de São Paulo




Afinal, tudo se contorna

Renê Júnior, atleta do E. C. Bahia, foi chamado de macaco numa discussão com um adversário no Ba-Vi do último domingo. Houve algum rumor na imprensa esportiva após o jogo, um comentário ligeiro do árbitro na súmula da partida, com a observação desqualificadora de que o fato não foi presenciado diretamente nem por ele nem por nenhum outro auxiliar da arbitragem.

Houve ainda uma entrevista emocionada de René Júnior, o qual disse que gostaria que os negros fossem avaliados por sua personalidade e não pela cor da pele e que não faria registro da agressão numa delegacia porque, afinal, era superior ao que acontecera. E encaminhou o atleta do Vitória que o agredira, o colombiano Santiago Tréllez, aos cuidados de Deus.

Conhecemos bem o silêncio que segue esses momentos. Mas antes do silêncio ocultar os acontecimentos há um preâmbulo, podemos dizer assim, que é uma forma autoritária de dizer que o que aconteceu não poderia ter acontecido e, se a vítima teima em dizer que aconteceu, a culpa será de todo modo, em algum momento do processo, atribuída àquele que ousar responsabilizar criminalmente alguém. Esse é o padrão disseminado entre nós.

Está sempre presente também a alegação de que o agressor tem amigos e/ou parentes negros. Santiago Tréllez estava sobrando nesse quesito indispensável. Ele disse aos jornalistas: "Eu não chamaria ele do que disseram que eu falei. Primeiro, porque eu sou preto. Meu pai é preto, rastafári. Na minha família, temos pretos. Eu amo ser preto".

Tréllez é mesmo um amor de pessoa. Quando todos já o supunham atravessando a linha tênue que separa brancos de não-pretos na Bahia, ele faz uma afirmação que joga por terra o que parecia amparado em sólidas especulações sociológicas. Eu me amo preto, filho de preto rasta - como ousas atribuir-me essa infâmia, essa vilania, meu caro Renê?

Então, o que aconteceu não poderia mesmo ter acontecido. Frente à realidade inquestionável dos pertencimentos e afetos alegados por Tréllez, o acontecido relatado por Renê Júnior vai se transformando em pura ficção. A versão de si mesmo apresentada por Tréllez à imprensa parece convencer a turma do deixa-pra-lá, uma vez que se faz acompanhar de foto na qual ele aparece abraçando o pai rasta.

Dirigentes de futebol, como se sabe, corporificam também elevados ideais morais. Precisamos ouvi-los com mais frequência. Deles emana sempre uma força puramente ética. Um dirigente do Bahia, Diego Cerri, confirmando nossas elevadas expectativas, teria dito o seguinte:

"Não pode acontecer esse tipo de coisa na vida, nem no futebol. Renê relatou que foi chamado de macaco por um jogador do Vitória, o Tréllez, e estamos conversando internamente para ver como agir. Coisas como essas são absurdas. Vamos conversar com o jogador e ver o que vamos fazer.”

O presidente em exercício do E. C. Vitória, Agenor Gordilho, deu também sua contribuição para o funcionamento do código implícito: "Estamos surpresos. Não estou sabendo de nada ainda. Quero falar com o jogador para saber o que aconteceu, mas vamos contornar tudo. Vamos dar cobertura ao atleta, mas tenho certeza que foi um grande mal-entendido. Tudo se contorna."

Coisas absurdas, diz o dicionário, são aquelas destituídas de sentido e de racionalidade. Como agir diante de uma monstruosidade desse tipo? Vamos fazer uma consulta interna, disse Diego Cerri, supreso ao se deparar, talvez, com uma experiência muito primitiva que envolvia macacos e a selva colombiana.

Agenor Gordilho, por sua vez, enuncia um princípio que deve orientar nossa conduta daqui para frente: “Tudo se contorna”. Inclusive aquelas coisas absurdas com as quais nos deparamos em nosso cotidiano, tipo isso que rolou no BA-VI. Nós, que enfrentamos perigos visíveis e invisíveis, não podemos desprezar essa preciosa orientação: tudo se contorna, principalmente quando lidamos não com coisas reais, mas com objetos do pensamento e da imaginação.


Edson Lopes Cardoso
Jornalista e Doutor em educação pela Universidade de São Paulo




O PASSADO SEMPRE CHEGA AO PRESENTE?

O bom artigo de Ana Flavia Pinto e Felipe Freitas sobre Luíza Bairros, divulgado na revista “Afro-Ásia” (nº 52, pp.215-276) traz no final uma preciosa relação de textos da autora divulgados em livros, revistas e jornais.

Há, certamente, mais alguns, dispersos por aí, a que se acrescentarão correspondências de que não se pode ainda avaliar a extensão, e a eventualidade de entrevistas, palestras e depoimentos gravados. Há muito tempo os livros se fazem acompanhar de registros sonoros e, no caso da enunciação vocal de Luíza, é indispensável isso.

Pela influência que Luíza Bairros teve e tem no movimento negro contemporâneo, sua trajetória e testemunho devem inspirar uma variedade de estudos críticos e pesquisas. Ana Flávia Pinto e Felipe Freitas alertam que cobriram apenas parte dessa trajetória nessa primeira contribuição da “Afro-Ásia” e pretendem dar prosseguimento ao trabalho.

Lélia González, de quem editei três artigos (no tablóide “Raça & Classe” , no “Jornal do MNU” e na revista “Humanidades”) ainda não teve a sorte de ter reunidos seus escritos, decorridos tantos anos de sua morte. Tudo virou raridade e as novas gerações a conhecem mais por ouvir dizer, o que é lamentável. Há dezenas de outros personagens, igualmente decisivos para a memória recente de movimento negro, na mesma situação de Lélia.

Já sabemos que será impossível reconstituir a verdade histórica sem o acesso a testemunhos indispensáveis. Não custa lembrar que os programas de história oral surgem em universidades americanas (Columbia, Yale) em 1948 e colhem depoimentos de sobreviventes do holocausto judeu. Ainda há tempo para impedirmos a dissolução do passado recente de esforços e lutas de movimento negro?

Abdias do Nascimento não se cansou de nos mostrar o caminho. Foram coisas preciosas que Abdias nos ensinou. Quando vamos compreender isso, afinal? Abdias se foi, mas deixou tudo arrumado. Tratou com seriedade seus esforços e os de sua geração. Livros, revistas, jornais, panfletos eleitorais, manifestos, discursos parlamentares, testemunhos de aspectos pessoais e biográficos, entrevistas, etc.

Contou com a qualidade de um grupo de assessores negros comprometidos, militantes e intelectuais, e contou (e conta ainda) com a dedicação de Elisa Larkin. Mas nada existiria sem a firmeza de atitude do próprio Abdias, consciente de que seus cuidados na preservação da memória, pessoal e coletiva, eram imprescindíveis e parte essencial de seu legado para as novas gerações. Obrigado, meu velho.

Ocorre-me a pergunta, desculpem-me, pois ela deve ser dirigida aos muitos desavisados entre nós: podemos prescindir do passado? Steve Biko disse, de modo a ser entendido por todos, que um povo sem passado é como um carro sem motor. Então refaço a pergunta que fiz: pretendemos ir a algum lugar? Se é verdade que pretendemos, será preciso ligar o motor.

Em condições políticas “normais”, disse Beatriz Sarlo, o passado sempre chega ao presente. Nossas condições de vida no Brasil não são normais, certo? O Estado, o governo, os meios de comunicação, escolas e partidos, e um número infinito de instituições dedicam-se a apagar ou distorcer os fatos reais e concretos nos quais se envolveu e se envolve a população negra. Tudo bem? Então, compreenda de uma vez por todas que, sem sua ativa participação, o passado não chegará até nós.

Voltemos a Luíza Bairros. Mas quero deixá-la falar. Posso ouvi-la dizendo o fragmento que cito abaixo. Afinal, ela vive através de nós. A minha lembrança é diferente de outras, muitas, e ela revive nesse diálogo que trava com todos nós, seus admiradores.

O texto transcrito a seguir foi retirado de um jornal eventual, editado pelo mandato do então vereador Juca Ferreira, em setembro de 1999 (p. 5), a propósito de relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI), que investigou o racismo no carnaval de Salvador. O relatório foi mutilado por setores governistas e não contou com os votos da oposição.

“A CEI cumpriu um papel importante, mesmo negando a existência do racismo, tão evidente no carnaval e no cotidiano da cidade. O que eu digo parece contraditório? Mas não é. O relatório adulterado, aprovado às escondidas pelos vereadores governistas, demonstra que o movimento negro tem estado com a razão ao apontar o papel das instituições na manutenção do racismo, e a conivência destas com setores empresariais. Para manter o povo negro fora das manifestações que ele próprio (re)criou vale tudo. Brancos travestidos de aliados participam de nossas organizações, dizem professar as religiões negras mas, ao mesmo tempo, conspiram contra nossos interesses, em favor dos senhores da casa grande em que se transformaram os blocos de trio. Negros, numa versão contemporânea dos feitores, negociam a história de seu próprio povo e fingem esquecer a constante discriminação que também sofrem, às vezes calados, às vezes sorridentes, e sempre curvados pelo peso da subserviência. Diante disto, resta ao movimento negro, e aos que a ele se aliam, sem demagogia, ir às ruas para realizar uma grande manifestação contra o racismo e, ao mesmo tempo, denunciar os blocos de trio racistas e seus porta-vozes na Câmara dos Vereadores.” Luiza Bairros. Iyalodê – Centro de Referência da Mulher Negra.

A voz indignada de Luíza Bairros nos alcança, é um apelo visceral que nos impulsiona para o combate. Trata-se de uma reflexão honesta sobre uma realidade dilacerante, que perdura no tempo. Nada que não possa ser apagado? Infelizmente, pode sim. Sem nossos esforços, imensos, gigantescos, essa é uma história que pode não ser contada aos negros amanhã.

Edson Lopes Cardoso
Jornalista e Doutor em educação pela Universidade de São Paulo




QUERO NASCER, QUERO VIVER

A ADNews é a agência responsável pelo anúncio de lançamento de modelo da marca Jeep, o Compass, que utilizou a melodia da canção “Preciso me encontrar”, de Candeia. A canção, interpretada por Cartola, aparece em disco da Marcus Pereira, salvo engano de 1976.

Gosto da canção (muita gente gosta) e utilizei um verso seu (“quero nascer, quero viver”) como epígrafe de um livro de poemas (Ubá), em 1999. O mundo em que se é morto-vivo, realidade extrema, não merece menção explícita na letra da canção, que projeta com ênfase o renascimento idealizado, romântico, com aurora, água corrente e canto de pássaros.

No anúncio, é óbvio, tudo se reduz a andar por aí de jeep compass. Segundo informa a agência, o “conceito” do anúncio é “Feito no Brasil de tudo o que somos e tudo o que podemos ser”, que evidentemente não quer dizer coisa alguma, é uma quase-idéia, parasitária de alguma coisa com sentido que leram algum dia em algum lugar.

Sobre a canção de Candeia, o release da ADNews diz que se trata de “ uma ode à busca do ser humano por significado”. Esse ser humano é todo mundo em qualquer tempo e lugar. Um plano de universalidade que esvazia o caráter histórico que me interessa. Sou muito limitado e considero essas generalizações claros sinais de uma disposição do intérprete de fugir do contexto. Que vida não significa exatamente viver, no contexto que produziu esse discurso?

Na mesma década de setenta, Martinho da Vila fez “Assim não, Zambi”, que conhecemos na voz de Clementina de Jesus. Vejamos os versos, pensando na recusa radical, no grito da alma que se faz ouvir na canção de Candeia ( “quero nascer, quero viver”). O que é latência e implícito em Candeia se escancara nos versos de Martinho da Vila:

“Quando eu morrer/vou bater lá na porta do céu/e vou falar pra São Pedro/que ninguém quer essa vida cruel./Eu não quero essa vida não Zambi/Ninguém quer essa vida assim não Zambi./Eu não quero as crianças roubando/a velinha esmolando uma xepa na feira/ Eu não quero esse medo estampado/na cara duns nego sem eira nem beira./Abre as cadeias/pros inocentes/dá liberdade pros homens de opinião./Quando um nego tá morto de fome/um outro não tem o que comer/Quando um nego tá num pau de arara/tem nego penando num outro sofrer/Eu não quero essa vida assim não Zambi/Ninguém quer essa vida assim não Zambi”.

É claro que vistas as coisas assim, a recusa tem uma dimensão coletiva (um nego e outro nego, idosos e crianças) e a busca do ser humano por significado tem necessariamente um caráter coletivo. A propósito, é bom lembrarmos que “não quero essa vida cruel”, significa alusão ao derramamento de sangue, consequência das agressões violentas que atingem a população negra. Cruel vem do latim “cruor, cruoris”, é sangue derramado.

Voltemos ao anúncio, onde aparece um negro boiando. Sim, ele não dirige o jeep, ele não acompanha quem dirige o jeep. Parece alguém que passa no momento de gravação do anúncio sem vinculação com os outros personagens, nem com a mercadoria anunciada.

O anúncio revela nesse fantasma perplexo suas inconsistências. Um tipo de voyeurismo fica reservado ao negro, na medida em que está dentro e fora do anúncio. É tocante sua solidão, seu desamparo. A dita homenagem a Cartola e Candeia, assim está no release, não sabe o que fazer com a representação do negro. Trata-se de uma forma nada sutil de descompromisso histórico.



Edson Lopes Cardoso
Jornalista e Doutor em educação pela Universidade de São Paulo



O segredo do sucesso: bata no negro

A edição nº 17 do “Jornal do MNU”, de set./out./nov. de 1989, traz dois textos sobre passeata de adeptos da Igreja do Reino Universal (IURD) realizada em Salvador, no dia 14 de agosto de 1989. A passeata era uma manifestação política de grande hostilidade contra as religiões de matriz africana e tachava seus seguidores de “criminosos e infanticidas”.

O texto da página 2, “Guerra santa”, assinado por Lindinalva Rosa de Oliveira (Naná) é mais completo que o da página 9, “Salvador repudia ameaça nazista”, quase uma nota de rodapé não assinada.

Lindinalva de Oliveira rebateu as acusações da IURD, denunciou manipulações que enredavam a população negra da periferia e bairros populares e descreveu fato recente ocorrido no Cabula, que ela associou de pronto à passeata da IURD:

“No Cabula, em São Gonçalo, existe uma igreja desse ramo (IURD). E ela reuniu seus fiéis que, como se estivessem possessos, com baldes e vassouras, lavando a rua, gritavam: SAI, SATANÀS! Varriam, jogavam água no asfalto e quando chegaram em frente ao portão do ILÊ AXÉ OPÔ AFONJÁ empunharam as vassouras e entraram agredindo todos que ali se encontravam trabalhando, que tiveram que se defender da melhor forma. Imagine a que ferocidade essas forças mal direcionadas estão levando as pessoas. Essa gente, que não respeita nem a privacidade de seus vizinhos, invade domicílios numa comunidade onde existem creche e escola primária, faltando com o respeito devido à presença de crianças de tenra idade e senhoras de idade avançada, numa atitude antidemocrática.”

Como se pode ver, já era perceptível em 1989, há quase três décadas, com registros na imprensa negra, que a IURD constituía um desafio à sobrevivência das religiões de matriz africana. Ontem, no Rio de Janeiro, organizadores da “X Caminhada contra a Intolerância Religiosa”, Ivanir dos Santos à frente, ressaltaram que somente em 2016, no Rio, foram registrados 759 casos de intolerância.

Quando se tem o luxo de poder contar com o poder judiciário, coisa aparentemente proibida aos negros no Brasil, é possível alimentar a esperança de que agressões ao direito de crença possam vir a ser punidas de alguma forma. Mas a justiça no Brasil trabalha com critérios extremamente rigorosos que lhe permitem separar a humanidade da não-humanidade. Dignidade, liberdade, direitos e justiça diferenciam o humano do inumano.

Sendo as coisas assim, a receita é simples: bata no negro que o bolo cresce. Dos anos 80 para cá, assistimos ao grande empenho dos progressistas de esquerda para estimular a ação política dos neopentecostais. O fortalecimento das alianças políticas com forças “progressistas” garantiu-lhes a institucionalização e sempre mais acesso ao dinheiro público, amplas redes de comunicação e de diversificados empreendimentos comerciais.

O resultado está à vista de todos. Após alguns mergulhos purificadores no rio Jordão, entes santificados estimulam a invasão de terreiros de candomblé e umbanda para supliciar mães e pais de santo.

O mote inquisitorial é a coação absoluta e milicianos, narcotraficantes e pastores de bíblia e fuzil na mão caem matando. Tudo filmado, documentado, para melhor semear o terror.

Bacana a resistência, a caminhada, mas não há sinais de que alguma instância com poder para tal se disponha a tomar providências que possam atender os interesses do povo de santo diante da extrema brutalidade. Temos que reconhecer que o ódio que os neopentecostais expressam pela religiosidade com origem na África tem uma importante função política, porque quanto mais nos odeiam mais se dão bem nesse país maravilhoso.


Edson Lopes Cardoso
Jornalista e Doutor em educação pela Universidade de São Paulo




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